Friday, December 29, 2006

Soneto de amor de Tonho e Paco

A Plínio Marcos

a paixão corre o risco de um palco.
Tão perto e ao mesmo tempo farpado.
Masmorras gritam pelos seus contrários.
Resistiremos ao próximo assalto?

Amor, aqui abismo, ali já pássaro.
Não tem nome, mas, no volume máximo:
cárcere, música, miserê, um barco
embriagado e desigual, mas um barco.

Quando o beijo é somente o mesmo escarro.
Pra qualquer infinito somos fracos.
Não apenas ter dor e um carrasco,

mas, um outro papel e recusá-lo.
A noite é suja e perder-se é um passo.
Então pintei de blues os meus sapatos.

Saturday, December 23, 2006

rap p/ Fabiano Gonper

o futuro é uma moeda que só vale ontem.
Quadros se fazem no olhar que os trouxe.
Lugar sem chão, fronteira, tese ou hoje:
a obra e o olho a revezar seus ondes.

Igual um livro em branco que encontre
seu leitor e as páginas surjam, texto, forma e sobre
letra a letra, lauda a lauda, se chegasse a um nome:
o do leitor ( é claro) que como espelho rompe

-se em ser moldura e transfiguração do que houve.
3x4 on-line a cada rosto um quadro novo soube
ser provisório e em fila, enquando nomes
assinam rostos num só rosto: Gonper.

voltei ao blog

Toda certeza é um beco sem saída.
O livro não está pronto. O blog está de volta.
Abraço
aos poucos que aqui vierem.
Sejam bem -vindos

Sunday, October 22, 2006

O FIM DO BLOG

Amigos, a todos vocês desejo o meu muito-obrigado. O blog cumpriu a sua função. O livro "Eu Sou Mais Veneno Que Paisagem" já está pronto. Em processo apenas de revisão de um ou outro poema. Mas, este projeto já se encerrou. O comentário de vocês foi extremamente válido para escolha e modifição de alguns textos. O livro já está pronto há cerca de dois meses. Neste período tentei me aventurar pela prosa. Não consegui. A poesia me chamou de novo. Já coloquei no ar um novo blog. Como eu não consigo pensar/escrever poemas, só sei escrever textos que se articulem com um projeto de um livro, passei um tempo pensando em questões relativas à minha experiência com Deus. Um assunto que não é bem resolvido comigo. Há porões e demônios caminhando em mim com os quais não converso nem olho no olho. "Sem Fio" é o título do blog-livro. Já está no ar com o primeiro poema. O endereço é http://livrosemfio.blogspot.com . Gostaria imensamente de contar com a presença de vocês por lá. Os comentários e a conversa estabelecida é muito valiosa. Abraço amigos.

Wednesday, October 04, 2006



visto de permanência

ilegal em sua própria
fala. Como se em língua morta
ou em máquina de escrever. Encontram
motivos para cantar em um tempo de costas.

Não vivem de sua arte, pouco a mostram:
não há mercado. Nenhuma moda
tocará vísceras. Censura não foi posta
em prática contra estas obras

mas, proibidas, fraturas expostas
ao não coletivo. A única glória
é a impossibilidade de ser compra,
mesmo a quem torná-la próxima.

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imagem do blog
http://atuleirus.weblog.com.pt

Friday, September 29, 2006



estilo

ao sabor do inverso
permaneço


e tento.

Ao invés
atravesso

avessos,

não me entrego.

Nunca venço,
nem por nada

espero.

Sempre em recomeço.

A morte
do que é mesmo
é meu colégio

e erro.


***
arte de Warhol.

Tuesday, September 19, 2006



o inimigo

só. O tempo é onde, tiro. Nunca contem
comigo. Não é uma ambição minha:
o homem mais forte do mundo
está sozinho. É melhor que eu continue
de fora. Meus gritos
não foram feitos para todos
os ouvidos.

Saturday, September 09, 2006



Ivanildo Vila Nova

O canto sem teatro, o dom com método.
Baião sem barrocos, o toque cético.
Os lábios em rascunho, espírito stereo.
A única performance é a do verso.

A inspiração ao fio do critério.
Arquitetura de marco enciclopédico.
O olhar de mira: coldre a descoberto,
a mão à véspera, a fósforo, a périplo.

A viola, arma branca ao deus ébrio.
Campos do improviso, calango elétrico.
Um transe com cronômetro, desconecto
da extinta linha dos aedos