Saturday, April 29, 2006


dois ponto um

não inventamos nosso futuro
que sem nome e longe
se ultrapassa
sem saber para onde.

Preferimos não ter perguntas,
nem erros, mas,
velhos de photoshop,
retocamos a morte,
o sonho, a sorte,
o never more
e o nosso retrato
é um extra

sem filme próprio

Friday, April 28, 2006


terri schiavo (1963, 2005)

Onde a dor, de tão dentro, se acostuma
a agonia, agora limpa, não estupra
mais o corpo, validade vencida, vida expulsa.
Onde o grito de socorro não se formula

Lá onde o espírito encontra com a medula.
Um fio e não deus, proprietário da morte, a morte anula.
O cardeal, o democrata, a opinião pública,
quem alcança a voz dela, sem voz? quem a dubla?

Bela adormecia ao inverso, o olhar em óbito busca
arrancar a tomada, o dedo na roca, o fio. Assinatura.



samba curto

pernambuco
falando em pernambuco

Um caboclo a cabo
apontou pro mangue
ginsberg biu roque
sangue do seu sangue

maracatu media player
candomblé por assinatura

chico( sai em si)ba lira otto
chico( sai em si)lvério salu
samba clube s/a

seu nome era multidão
no seu sotaque guitarras
eram lanças

como carnaval
sampler de sol pichando
marco zero



2006, paris

diferente do sonho,
nunca se acaba um pesadelo.
Não temos bandeiras, nem empregos.
A exploração virou direito.

Queimam automóveis e modelos.
Mudam as palavras de ordem,
mantém-se o medo.

Fim da história? fim das utopias?
minha utopia sou eu mesmo

Thursday, April 27, 2006




o chefe

Sempre acompanhado,
nunca com amigos. Em sua sala,
imune a crachás menores.
O ar frio, algo kafka.

narciso cego.

Ocupa o nome da placa.
O poder, com seu espelho provisório,
faz seus olhos inúteis fixarem indivíduo
onde substantivo apenas.

O lugar em que continua
é uma bomba-relógio.
Entre as pretas e as brancas,
permanente macbeth.

Wednesday, April 26, 2006





o porteiro ) do inferno (

o inferno são os todos.
Obra em movimento, em ordem de despejo.
Nunca uma moldura para solenidade,
fundo para fotografias,
átila de aço ao lugar comum.

(anti)monumento ambulante
que reflete: nem a morte
livra uma maldição de verdade.
jackson ribeiro,
enterrado como indigente,

uma pedrada em pé sua obra,
um exorcismo
e seu epitáfio

O sobrenome, do bêbado da bambu,
ainda diz tudo:
em joão pessoa, bilac derrotou duchamps
(foto de dalmo oliveira)

Monday, April 24, 2006

outro dogma, em dolby, em oscar



para lars von trier


pelo que falta, pelo risco, opta-
se. Ironia de contrários prova

que enquanto com nãos se faz um dogma
outro dogma, em dolby, em the end, em oscar

fica à mostra. A imagem como digital do não.
Um círculo de giz, uma narrativa: chão.
A verdade como outra maneira de ilusão.
O dedo de artistóteles, não o de platão.