Tuesday, August 29, 2006



Siba Veloso

no meio do
terreiro de tua
vida

fuloresta
encruzilhada
gambiarra
de estrelas

mesmo chapéu
guru e guiado
em galope

a eternidade
recomeça
baixando
o amanhecer

Friday, August 18, 2006




A Estrada da Vida

combateu o bom
combate

Seu testamento
era um lugar ao vento
um sopro de canção
e no seu coração

uma plantação
de tomates

Wednesday, August 16, 2006



manual de maldição

e quando a transgressão vira
modelo?
Onde um novo
avesso?

a) música, poesia:
duas maneiras de erro.

Se era em verso
que o público espelho,
a imagem hoje canta
outro conceito,
debaixo dos caracóis dos seus
cabelos.

O verso virou invento
de mesmos,
a morte do público.

b) fotografia, artes plásticas,
um exemplo.

Da mesma forma que
o real não reabre o seu estreito
em tela, natureza morta,
figura de momento,

mas, migra dos quadros,
para o próprio palco
ser o drama encenando-se
cenário e por dentro.

Da mesmo forma hoje a imagem,
máquina em língua de luz
intercepta e interpreta
o espectro, onde o público espelho

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foto wilton montenegro

Monday, August 14, 2006



Metro Quadrado

plano. Nenhuma luz. Desde o útero
que tudo está escrito, mesmo assim rasuro
as letras certas, as linhas tortas, o número
a ser descoberto. Viver é este recuo:
flash-back ainda inédito do futuro.
Trazemos o último dia, trazemos o último
dia em cada dia, este corredor da morte escuro.
A felicidade só diz seu rosto no final do túnel
quando não há mais interruptores, nem segundos.
Só a perda nos completa, mas a ciência disso tudo
não se oferta sem rugas. Vem no súbito
momento em que nos vemos memória, discurso.
A falta é o horizonte visto destes muros
em movimento, em colisão. A falta é nosso lucro.

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muito obrigado aos amigos de Recife, que foram à minha palestra na UFPE, no seminário da Crispim, e que tem deixado comentários neste blog e em meu e-mail. Voltarei a publicar mais posts. Abraço